Tempo de Nos Aquilombar

Conceição Evaristo

 

É tempo de caminhar em fingido silêncio,
e buscar o momento certo do grito,
aparentar fechar um olho evitando o cisco
e abrir escancaradamente o outro.
É tempo de fazer os ouvidos moucos
para os vazios lero-leros,
e cuidar dos passos assuntando as vias
ir se vigiando atento, que o buraco é fundo.
É tempo de ninguém se soltar de ninguém,
mas olhar fundo na palma aberta
a alma de quem lhe oferece o gesto.
O laçar de mãos não pode ser algema
e sim acertada tática, necessário esquema.
É tempo de formar novos quilombos,
em qualquer lugar que estejamos,
e que venham os dias futuros, salve 2020,
a mística quilombola persiste afirmando:
“a liberdade é uma luta constante”.

 

 

Por Lucimélia Romão*

 

Mostra Queerlombos, um espaço de trocas artísticas entre os pares e a comunidade, uma rede de conhecimento e apoio em Ouro Preto. 

Em 2017, participei da Semana Afrofeminista, organizada pelo NINFEIAS. Ali iniciava o meu primeiro trabalho solo em performance e esse trabalho era realizado numa cozinha. Houve um acolhimento muito grande por parte da produção dessa mostra em achar o lugar ideal (que foi a cozinha da moradia estudantil) e também dos espectadores em trocar posteriormente em uma conversa as sensações que tiveram durante e a ação.

 

Performance “Mulher de pau” de Lucimélia Romão, apresentada na Semana Afrofeminista, 2017. Foto: Sabriny Melo

 

 

Performance “Mulher de pau” de Lucimélia Romão, apresentada na Semana Afrofeminista, 2017. Foto: Sabriny Melo

 

Performance “Mulher de pau” de Lucimélia Romão, apresentada na Semana Afrofeminista, 2017. Foto: Sabriny Melo

 

Performance “Mulher de pau” de Lucimélia Romão, apresentada na Semana Afrofeminista, 2017. Foto: Sabriny Melo

 

Em 2018, também em Ouro Preto participei da Queerlombos (NINFEIAS e Coletiva Queerlombos se uniram nesta edição para realizar a mostra)**. Como uma mostra de diversidades artísticas, em 2018 pude assistir uma Performance do artista Belorizontino Kako Arancibia (link), que falava sobre o HIV, esse artista, tinha assistido a minha performance “Marco” no dia anterior, que falava sobre o genocídio da população negra com o viés da mulher, da mãe que fica e vivencia diversas dores e frustrações pós a morte de seu filho pelo Estado genocida. Houve uma troca mútua em falar dos nossos trabalhos e o artista em questão relacionou as nossas obras ao informar que no Brasil as mulheres negras são as mais afetadas com as doenças sexualmente transmissíveis.

 

Performance “MARCO” de Lucimélia Romão

 

 

Performance “MARCO” de Lucimélia Romão, apresentada na “Queerlombos – Afetos, encontros e re-existências”, 2018 – Foto: Mayra Pietrantonio

 

 

 

 


Lucimélia Romão

É artista de rua e performer. Atriz, formada em 2013 no curso técnico em Teatro pelo Escola Municipal de Artes Maestro Fêgo Camargo em Taubaté/ SP. Graduanda em Teatro pela Universidade Federal de São João Del Rei – MG onde pesquisa teatro e performance negra.

É co-criadora do grupo de teatro Cia Mineira de Teatro. Atualmente circula com a performance Marcos; MIL LITROS DE PRETO: A MARÉ ESTÁ CHEIA; e o espetáculo DÉFICIT.


 

 

**Em 2018 a Coletiva Queerlombos (que se chamava Coletiva Diversidade Ouro Preto) e o NINFEIAS – Núcleo de investigações feministas, se uniram como proposta de unir forças, já que as duas coletivas realizavam mostras diferentes com temáticas convergentes em concomitância no mesmo território. Assim, a “Semana de diversidade de Ouro Preto e Mariana” e a “Semana Afrofeminista” compuseram no ano citado a primeira “Queerlombos – Afetos, encontros e re-existências”. A parceria se encerrou após este evento.

A Queerlombos seguiu com o evento em 2019, “Queerlombos – Territórios de guerrilha”, e no mesmo ano se transformou na Plataforma Queerlombos (deixando a alcunha Coletiva Diversidade Ouro Preto). O NINFEIAS (link) segue com suas atividades e eventos. (nota da editora).

 

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